O Imposto de Renda e a Expansão do Estado
A sanha tributária do Estado de tão constante, tornou-se invisível. O cidadão aprende desde cedo que uma parcela do fruto do seu trabalho não lhe pertence por direito, como se essa apropriação fosse uma lei da física e não um artifício histórico construído. Entre os muitos instrumentos dessa máquina de expropriação, o imposto de renda ocupa um lugar singular. Diferentemente dos tributos indiretos, embutidos no preço de produtos e serviços, o imposto sobre a renda incide de maneira frontal sobre o trabalho humano. Nos impostos sobre o consumo, preserva-se ao menos uma aparência de escolha: o indivíduo pode reduzir, adiar ou mesmo abdicar de determinado consumo. Há aí, por mínima que seja, uma mediação entre a vontade pessoal e a cobrança estatal. No imposto de renda, essa mediação desaparece por completo. O tributo não recai sobre um ato contingente, mas sobre a própria necessidade de viver. O homem pode escolher não comprar um bem supérfluo; não pode escolher não trabalhar sem abrir m...