A Apostasia do Ocidente - Filosofia, Cultura e a Perda da Realidade
Temos de começar com uma imagem, aquilo que Platão chamava de eikôn, a semelhança sensível que serve de trampolim para a inteligência ascender à verdade. Imaginai um homem que acorda na cama de um hospital. O sujeito olha para baixo e descobre que ambas as pernas lhe foram amputadas. Em vez de se desesperar, ele sorri para o vazio onde deveriam estar os joelhos e declara-se mais livre do que nunca. "Finalmente", diz ele, "estou liberto dos grilhões da bipedestação". Acharíeis o sujeito ridículo, e com razão. Mas, este delírio clínico não é nem um milímetro mais absurdo do que milhões de indivíduos que celebram a sua própria mutilação como se tivessem alcançado o ápice da emancipação humana. Vamos recuar na história das ideias e observar uma decisão metafísica. Falo da decisão de achatar a realidade, de pegar na ousia aristotélica, o ser em ato, a substância plena de sentido e reduzi-la a pura extensão matemática. O que aos olhos de um leigo parece uma evolução da ...