O Novo Moralismo Intelectual
The New Intellectual Moralism
/>A ideia não é nova. Robespierre, aquele fanático de jaleco jacobino, já via a guilhotina como um instrumento pedagógico. O terror era o caminho para a virtude, dizia ele, enquanto mandava seus antigos aliados para o cadafalso. Stalin e Mao foram ainda mais eficientes, construíram impérios de cadáveres, justificando a chacina como um sacrifício necessário para a utopia comunista. A lógica era simples, se a realidade não se encaixa na ideologia, pior para a realidade.
Hoje o método se refinou. As execuções sumárias deram lugar a linchamentos morais e destruição de reputações. A censura explícita foi substituída pela patrulha ideológica, que transforma qualquer divergência em crime de pensamento. E claro, a inversão de valores segue firme e forte, o bandido vira vítima, o policial vira algoz, a devassidão é celebrada como liberdade enquanto qualquer defesa da responsabilidade individual é tachada de fascismo.
A lógica revolucionária exige que atos violentos sejam relativizados e até glorificados, desde que sirvam à causa. Se um militante quebra vitrines, saqueia lojas e agride opositores, é apenas um desabafo legítimo contra a opressão. Se um vândalo incendeia um carro e picha um monumento, está reivindicando espaço na cidade. Mas se um cidadão comum ousa defender sua propriedade, ele é imediatamente taxado de burguês insensível.
Essa moral invertida não se limita à política. No campo dos costumes, a estratégia é a mesma. O consumo de drogas, antes visto como um problema de saúde e segurança pública, é hoje tratado como resistência contra a criminalização. Qualquer tentativa de discutir os impactos do vício é rotulada de discurso proibicionista. O hedonismo desenfreado é incentivado em nome da liberdade individual, mas ninguém pode mencionar as consequências psicológicas, sociais e sanitárias desse estilo de vida sem ser acusado de moralismo retrógrado.
A tal liberdade individual só vale quando conduz à degradação. Se alguém quiser se destruir, ótimo, é expressão pessoal. Se quiser arrastar outros para o mesmo buraco, melhor ainda, é desafiar tabus. Mas se alguém ousa alertar sobre os riscos, a patrulha ideológica entra em ação.
Essa revolução dos costumes tem o objetivo de dissolver qualquer referência estável de certo e errado, substituindo a moral tradicional por um código variável, regido exclusivamente pelos interesses ideológicos do momento. Há apenas uma balança viciada, onde os crimes são julgados não pelo que são, mas por quem os comete. O militante tem salvo-conduto para tudo. O dissidente, para nada.
A consequência desse delírio é uma sociedade onde a única regra que resta é a lealdade cega aos novos mandamentos. Quem aceita a farsa pode roubar, destruir e até matar sem grandes consequências. Quem ousa questioná-la, mesmo que apenas com palavras, será tratado como o pior dos criminosos. É assim que se destrói um povo, pervertendo sua consciência, até que não reste mais ninguém capaz de diferenciar o que é verdade.
José Rodolfo G. H. de Almeida é escritor e editor do site www.conectados.site
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José Rodolfo G. H. de Almeida is a writer and editor of the website www.conectados.site
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