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Mostrando postagens de novembro, 2026

O Gabarito — a lei que só se cumpre onde ninguém vê

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  O Gabarito — a lei que só se cumpre onde ninguém vê Para os professores eu era apático. Para a minha mãe, motivo de zanga. Para mim, um menino que não sabia explicar como a aula acabava sem que ele a tivesse visto. A cabeça ficava longe, na imaginação, o corpo ficava quieto, e o tempo passava sem pedir licença. Eu voltava para casa com o caderno vazio, e a tristeza que sentia diante dele nunca foi menor do que a zanga que vinha em seguida. Devia ter uns oito anos. A matéria era matemática, a que faltava no meu caderno sem que eu soubesse dizer por quê, e o remédio era o caderno de um colega de sala, emprestado por intermédio das mães, que eram amigas. Eu era apenas o portador da dívida. O colega já tinha feito a tarefa. Ao lado de cada conta, a resposta, escrita e pronta. Bastava copiar. Era, aliás, o que se esperava de mim. Eu não quis. O castigo que me rondava vinha da falta; copiar me livraria dele. O fato é que eu queria resolver as contas, e a resposta pronta, como favor, me...