O Novo Bezerro de Ouro Usa Terno e Gravata
Há uma verdade que só os tolos recusam: toda autoridade que não se curva diante da transcendência termina exigindo adoração para si. Onde se viam altares e sacrifícios, hoje se ergue o burocrata, o perito, o juiz togado. A religião, ao contrário do que pensam os sociopatas de gabinete, nunca foi um delírio coletivo para amaciar as dores do mundo. Ela é a afirmação radical de um limite: existe algo superior ao poder humano. É o embate profundo entre o reconhecimento da transcendência e o impulso pelo controle absoluto. O problema não é Deus, mas o fato de que, com Ele, toda autoridade humana se torna relativa, pois está submetida a um juízo superior. Para o revolucionário, isto é intolerável. A abolição do sagrado é um projeto deliberado. A política já visa modelar almas. E para moldar almas, é preciso esterilizá-las. Remove-se o sagrado como quem arranca os nervos do dente: anestesia-se a dor da consciência e, em seu lugar, instala-se o conforto idiota da obediência. Quando...