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Mostrando postagens de abril, 2025

O Novo Bezerro de Ouro Usa Terno e Gravata

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  Há uma verdade que só os tolos recusam: toda autoridade que não se curva diante da transcendência termina exigindo adoração para si. Onde se viam altares e sacrifícios, hoje se ergue o burocrata, o perito, o juiz togado.  A religião, ao contrário do que pensam os sociopatas de gabinete, nunca foi um delírio coletivo para amaciar as dores do mundo. Ela é a afirmação radical de um limite: existe algo superior ao poder humano. É o embate profundo entre o reconhecimento da transcendência e o impulso pelo controle absoluto. O problema não é Deus, mas o fato de que, com Ele, toda autoridade humana se torna relativa, pois está submetida a um juízo superior. Para o revolucionário, isto é intolerável. A abolição do sagrado é um projeto deliberado. A política já visa modelar almas. E para moldar almas, é preciso esterilizá-las. Remove-se o sagrado como quem arranca os nervos do dente: anestesia-se a dor da consciência e, em seu lugar, instala-se o conforto idiota da obediência. Quando...

Afeto sem Verdade - A Receita da Manipulação

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Uma sociedade que troca a razão pela emoção não caminha rumo ao progresso, mas à demência coletiva. Nunca foi tão fácil comandar massas quanto sob a hegemonia do afeto, essa instância psíquica volátil, e, quando corrompida, absolutamente impermeável ao juízo moral. É neste terreno mole e turvo que se ergue o novo totalitarismo, que se infiltra nas carências emocionais, legitima-se em lágrimas e decreta sentença através do olhar lacrimoso de uma vítima profissionalizada. A compaixão, uma virtude vinculada à ação concreta do bem, foi sequestrada e reduzida. Em nome dela, cala-se o dissidente, pune-se o racional e celebra-se o incoerente desde que chore no tom adequado. O novo código moral não exige coerência nem verdade, mas sintonia afetiva.  A política se transmutou em espetáculo emocional. Não se busca mais convencer, mas comover. E a comoção, por definição, é incapaz de discernimento. A razão é desativada, porque é perigosa, ela desmascara a mentira envolta em ternura e revela o ...

Símbolos Queimados - Como Se Destrói uma Civilização

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Cultura, no sentido elevado do termo, sempre foi a atmosfera invisível que estrutura o espírito de uma civilização: o conjunto de símbolos, mitos, narrativas e rituais que ligam o homem ao eterno, ao verdadeiro, ao sagrado. Para o homem moderno, amputado de suas raízes metafísicas, “cultura” se tornou uma embalagem estética para o grotesco.  Essa transfiguração não foi espontânea, tampouco inevitável. Não é fruto do “progresso”, mas obra de um projeto, sim, um projeto cujos agentes souberam operar com precisão cirúrgica sobre as camadas simbólicas da sociedade. O marxismo cultural não é teoria da conspiração, é o nome vulgarizado de uma estratégia real, embora desdenhado pelos sabujos da academia, aqueles que se escondem, e buscam abrigo da realidade sob o guarda-chuva furado de Foucault. A Escola de Frankfurt, com sua astúcia pseudocientífica e sua retórica revolucionária, percebeu com clareza que para destruir uma civilização, não é preciso exércitos, basta dissolver os símbolos ...

A Morte da Consciência Individual

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Não há servidão mais absoluta do que a de um povo que se acredita livre enquanto repete, com entusiasmo bovino, as palavras que lhe foram previamente escolhidas.  O desaparecimento da figura visível do opressor, sem que a opressão cesse a torna mais profunda, mais eficiente. É mais fácil resistir a um ditador explícito, como Stalin, Hitler ou Mao, porque ele está lá: encarnado, visível, com nome, rosto e culpa. Já quando a tirania se dispersa na cultura, nas instituições, nas normas sociais e morais aparentemente "espontâneas", a resistência se torna quase impossível. Ninguém sabe exatamente contra quem lutar. O próprio cidadão se torna cúmplice e executor da repressão, acreditando agir livremente.  Como dizia La Boétie, é a “servidão voluntária”, o estado em que o homem aprende a amar suas correntes, desde que sejam invisíveis, suaves e socialmente premiadas. A tragédia de nosso tempo não é a opressão explícita, mas a dissolução da consciência. Hoje, a alma humana não é alge...

Reflexões sobre Hegel e a Consagração do Anticristo

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Com um artifício conceitual que iludiu gerações de comentaristas distraídos, Hegel redefiniu o próprio conceito de Estado. Já não se tratava, ali, de um ente concreto, de uma instituição visível e delimitável na moldura do tempo: o Estado era, antes, a culminação necessária de um processo. Não uma substância, mas uma fase, uma aurora tardia do espírito no pântano da História. O verdadeiro ente, nesta cosmovisão hegeliana, não era o Estado, era o próprio devir. Mas o devir, por essência, não é ente algum é a negação do ente, é a transitoriedade pura, o deslizar do ser em direção ao nada. Eis a contradição majestosa e escondida à vista de todos, ao promover o movimento, o acontecer que acontece a si mesmo à condição de realidade última, Hegel destitui de existência toda realidade concreta, todo homem, todo cosmos, toda coisa que ousasse afirmar uma identidade própria no tumulto dos séculos. A única realidade, então, seria essa História que se devora a si mesma, esse "a acontecer...

A Ilusão do Saber Científico

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  O fato de alguém dominar o método da pesquisa científica não significa, nem de longe, que compreenda o fundamento cognitivo que o torna possível. Há uma diferença abissal entre praticar uma técnica e saber o que se está fazendo e, portanto, saber por que aquilo funciona. Como operadores de um maquinário epistemológico cuja arquitetura desconhecem por completo. Um sujeito pode manipular equações, calibrar instrumentos, coletar dados e até publicar artigos revisados por pares, sem jamais ter se perguntado, por que esse método é considerado científico. O que o distingue de outras formas de conhecimento, inclusive aquelas tidas como "não científicas". A resposta a essas perguntas exige mais do que um manual de metodologia científica. Exige filosofia e da boa. Comecemos com um conceito que toda a tradição filosófica séria, de Aristóteles a Tomás de Aquino, passando por Descartes e chegando a Husserl, trata como ponto de partida: a evidência. O que é uma evidência? É a exibição i...