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Mostrando postagens de maio, 2025

A Virtude dos Fortes

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  A virtude se esconde. Não por medo, mas porque o mundo parece ter desaprendido. Gestos nobres são confundidos com fraqueza. Ajoelhar-se virou virtude. Mesmo que seja diante do erro. Há uma confusão entre servir e rastejar. A nobreza cristã de servir ao próximo, como ensinada por Cristo, foi diluída em uma caricatura, a do cordeiro que se orgulha da própria inutilidade, confundindo pureza com impotência. Jesus ajoelhou-se para lavar pés, mas levantou-se com chicotes nas mãos para purificar o templo. Ele serviu, mas nunca curvou-se aos hipócritas. O servo fiel é aquele que, mesmo com a toalha nos ombros, caminha com a cabeça erguida. A lealdade cristã é fidelidade à verdade. E a verdade, como se sabe, nem sempre é cortês. Maquiavel, com seu realismo brutal, nos adverte: os bons, quando inofensivos, tornam-se irrelevantes. A virtude, sem força, vira ornamento, e ornamentos são facilmente descartáveis. O mundo, esse campo de batalha entre impérios e ideologias, não recompensa cordeir...

1964: A Verdade que o Cinema Censura

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  Parece que, no Brasil, quanto mais distorcida a história, maior a chance de prêmio. A nova fórmula do sucesso artístico é simples: escolha um episódio, de preferência ligado ao Regime Militar, recorte os fatos com a delicadeza de uma motosserra, pinte guerrilheiros como mártires incompreendidos e transforme a luta armada em poesia. Pronto, está feito o novo candidato à estatueta dourada. A indústria cultural descobriu que a história pode ser uma mina de ouro, desde que seja contada pelo ponto de vista “certo”. E o público, anestesiado por décadas de doutrinação ideológica, aplaude de pé enquanto consome propaganda. É curioso como a história se torna refém da ignorância e da má-fé. Se há um consenso entre os que se prestam ao ofício de falsificá-la, é que a mentira bem contada pode transformar um levante comunista em resistência democrática e uma reação legítima em golpe de Estado. Desde os anos 1990, e com mais intensidade nas últimas duas décadas, o cinema nacional e as novelas ...

O Homem que Fugiu da Liberdade

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  A liberdade é um fardo insuportável para o espírito que se afastou da verdade. E não é por acaso que tantos a rejeitam, não por ignorância, mas por covardia. Há no ser humano uma tendência profunda, quase instintiva, de abdicar da liberdade em troca da segurança ilusória. É mais fácil aderir ao sistema, do que sustentar o peso existencial de uma alma emancipada. O covarde não quer ser livre. A liberdade, quando descolada da verdade, transforma-se num suplício. Essa caricatura moderna de liberdade, concebida como ausência de restrições, é a fraude fundadora do liberalismo vulgar, vendido para mentes entorpecidas. A liberdade, em sua forma real, não é um espaço vazio onde o desejo reina soberano; é um campo de batalha onde a vontade se submete ao verdadeiro. Ser livre é determinar-se segundo a realidade, não segundo as convulsões de um afeto mal digerido. A maior mentira do nosso tempo é o mandamento sentimental de que o homem se realiza ao obedecer seus impulsos. Essa ideia, que p...

A Covardia de Quem Nunca Pecou

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  A mais disseminada patologia espiritual não é a dúvida, como imaginavam os existencialistas de segunda mão, mas a crença, quase litúrgica, de que a vida humana pode ser controlada, planejada, e convertida em produto. Tal crença é mais do que um equívoco: é um atentado metafísico contra a condição humana. O homem que almeja controlar tudo busca a negação do real.  Reduzir a existência ao desempenho é a operação mágica do nosso tempo. E como toda magia, exige uma dose cavalar de negação da realidade. O culto ao ego, é a tentativa de dar sentido à própria vida por métricas, acaba tornando-se escravo de uma liturgia sem transcendência, uma missa negra celebrada diante do espelho. Esse homem enfeita o vazio com frases de autoajuda, com vídeos de influencers espirituais e com mantras de positividade tóxica. Mas por trás dessa fachada de controle reside um pânico mal disfarçado. Ele teme a realidade, pois a realidade não se curva a desejos, não respeita agendas, e, sobretudo, não o...

Silêncio, o Estado Está Falando - A Lógica do Terror

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  Nenhuma ideologia genocida jamais se apresentou como tal. Nenhuma chegou à história com os punhos ensanguentados, elas sempre vieram de mãos estendidas, prometendo redenção. Se o Inferno tivesse um departamento de marketing, as ideologias modernas seriam seu portfólio premiado. Disfarçadas de compaixão, pavimentaram as avenidas da história com cadáveres, tudo em nome do “bem comum”. O comunismo é o arquétipo desse engodo. Nasceu como um grito contra a miséria e a exploração, e terminou como a maior máquina de moer vidas humanas já construída pelo homem. Seus líderes, de Lênin a Mao, de Pol Pot a Fidel, falavam em justiça. E justiça, nas bocas certas, sempre pode ser manipulada para justificar o injustificável. Queimaram igrejas em nome da razão, fuzilaram intelectuais em nome da ciência, e transformaram a fome em política de Estado. Onde prometiam o paraíso, deixaram apenas ossadas. O nacional-socialismo (Nazismo), não foi uma anomalia, mas uma derivação. Outra cabeça do mesmo mo...

A Última Queda - O Homem Sem Fundamento

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  A estrutura de qualquer civilização depende de um eixo transcendente que articula a percepção do real e a unidade do corpo social. A rejeição desse princípio não é uma conquista autonômica, mas um processo de erosão cultural. Quando o símbolo que sustenta uma ordem é ridicularizado, se instala caos.  O homem, ao pretender-se medida absoluta de todas as coisas, torna-se incapaz de mensurar a própria estatura ontológica. A compreensão da realidade exige uma sintese transcendental, um eixo vertical que vincule percepção e logos, sensibilidade e sentido. Esse eixo foi seccionado por uma emancipação que apenas fragmentou o psiquismo, convertendo a experiência em neurose. Destituído de qualquer autoridade transcendente, o indivíduo deixa de ser autônomo para tornar-se cativo de pulsões e forças que ele, em sua cegueira, já não consegue nomear. O colapso não é meramente político: é metafísico. A crise está na linguagem, no pensamento, na imaginação, no próprio órgão da alma que, em...

Do Mérito à Métrica - A Degeneração da Justiça

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  Toda tirania começa com uma mentira, e não uma mentira qualquer, mas aquela que se enraíza no coração do homem como segunda natureza. A mentira que, sob o pretexto de justiça, gera servidão. O truque mais antigo da humanidade: vestir a dominação com a toga da virtude, fazer do algoz um educador, e do espoliado, um ingrato. Entre essas farsas, nenhuma se apresenta com mais pompa do que a chamada “justiça social”. Tomada a sério, ela exige que se suspenda a razão para que floresça a piedade ideológica. Seu objetivo não é premiar o mérito nem proteger o fraco, mas condecorar o ressentido. Trata-se de um conceito fraudulento que arma o burocrata com o cetro do redistribuidor benevolente.  Enquanto isso, a justiça verdadeira, aquela que emerge do direito natural, que reconhece a anterioridade da alma diante do Estado, é descartada como “elitista”, “retrógrada”, “opressora”. A lei rebaixa-se a ferramenta de engenharia social. Em nome da “inclusão”, fecha-se a porta para quem ousa ...

Revolução - Notas para uma autópsia da esperança pervertida

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  O fenômeno revolucionário é apresentado na historiografia como o momento em que a "vontade geral" rompe as amarras da opressão em nome da justiça. Mas uma análise filosófica mais rigorosa demonstra que essa narrativa é apenas a superfície de uma estrutura psíquica e ideológica muito mais sombria. Sob essa ótica, a revolução, não deve ser compreendida como um clamor espontâneo dos oprimidos. Ela se revela, antes, como uma ficção intelectual, arquitetada por engenheiros sociais cuja patologia profunda reside na negação deliberada da realidade e da ordem natural das coisas. O ímpeto revolucionário, embora confundido com a rebeldia moral, opera como um sintoma avançado de niilismo. Disfarçada de virtude e revestida de uma retórica de salvação terrena, a mentalidade revolucionária busca preencher o vácuo deixado pela transcendência com construções ideológicas que, ao tentarem "consertar" a existência, acabam por desfigurá-la.  O revolucionário típico não busca corrigi...

O Parasita de Terno - Se Disfarça de Pai

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  Poucos delírios modernos se comparam, em gravidade e amplitude, à crença de que o Estado é uma entidade benigna, espécie de pai previdente a zelar pelo bem-estar de seus filhos. Tal ilusão que seria apenas risível, não fosse trágica, foi sistematicamente incutida na alma coletiva por um consórcio de intelectuais, burocratas e pedagogos estatais que, ao longo do século XX, confundiram autoridade com beneficência, coerção com justiça, e a mais brutal das estruturas de dominação com um ideal moral. Convém, antes de tudo, limpar a lente. O Estado, tomado em sua realidade histórica concreta, e não nas mitologias com que se fantasia em currículos escolares, jamais foi apenas um árbitro neutro entre partes. Sua natureza é essencialmente expansiva, parasitária, hegeliana até o osso, ele não se contenta em governar, deseja encarnar o todo. Nas palavras de Tocqueville, “não quebra os corpos, mas rebaixa as almas”. A sua especialidade não é administrar conflitos, mas criá-los, e em seguida ...

A Alma Filosófica Não se Produz em Laboratório

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Nem todo pensamento nasce do cálculo, da gramática das escolas ou das metodologias proféticas dos departamentos universitários. Há pensamentos que irrompem como ventos, súbitos, inclassificáveis, incômodos. E porque não se encaixam em nenhum molde, são descartados pelos espíritos domesticados. Mas isso não os torna menos reais. Pelo contrário. Há verdades que não precisam de aval, impõem-se, não por consenso, mas por evidência. Contudo, contra esse sopro da evidência, ergue-se a muralha da distração. Uma distração que já não é apenas ruído acidental, mas uma engenharia de embotamento psíquico. O homem moderno, ou melhor, o homúnculo digital, não apenas ignora, ele se disciplina para calar toda reverberação do invisível. Sua surdez não é passiva: é militante. Mas nem mesmo essa surdez programada, essa abdicação ativa da interioridade, consegue suprimir o mais escandaloso dos fatos: há uma ordem. E que ordem é essa? Certamente não falo da ordem newtoniana, que ainda inspira os aprendizes...